A BRANCA DE NEVE: A MORTE [LENTA] DA DISNEY

 




A Branca de Neve sempre foi o meu pesadelo pessoal. E digo isso porque, apesar de ter um avançado grau de ranço da Disney, essa princesa eu sempre odiei em especial. E para pagar alguma penitência particular, fui obrigada a me fantasiar de Branca de Neve para uma festa de fim de ano da escola, quando era criança. E fiz questão de atuar fogo em cada uma dessas fotos na primeira oportunidade que tive.


E agora esse é o meu terror compartilhado.


Passei a vida não entendendo que droga de magia as pessoas viam no filme, nem a causa de ela ser considerada uma das princesas preferidas do público. E passei esse tempo todo sendo julgada por abominar a existência dela.


Só que a Disney transformou meu maior pesadelo (que envolve ter passado uma vida inteira sendo comparada a ela), em sonho (ter todo mundo odiando-a também).


Esse é o meu plot pessoal de hoje…


ESPELHO, ESPELHO MEU…


Às favas com esse bordão asqueroso. E não só porque ele ajudou gerações de mulheres a serem doutrinadas pela competitividade feminina tóxica, mas porque ele é o efeito Mandela mais patético de todos. Isso se a gente não levar em consideração questões mais relevantes, como, por exemplo, a óbvia questão de necrofilia sendo normalizada para milhares de crianças ao redor do mundo.


Nos tempos de hoje, a questão foi que a Rainha era — supostamente — mais bonita que a Branca de Neve. E como a Branca de Neve ser latina era estranho. Isso até o filme ser lançado…


Não assisti ao live action por razões óbvias, porém, li muitas resenhas sobre. Pelo que entendi, o grande público se incomodou porque a personagem teve um roteiro pedante, uma moral oca e focou em coisas que não precisavam de foco. E apesar de reconhecer o machismo subliminar do discurso, me questiono sobre a capacidade cognitiva das pessoas…


Em tempos em que, finalmente, as minorias têm voz, não estava claro que iam usar uma de suas narrativas mais problemáticas para tentar se encaixar em pautas sociais?


A [DUVIDOSA] VELHA DISNEY DE SEMPRE


Fui amiga de uma mulher que, aos 20 anos, chorava se fosse confrontada sobre o passado da Disney com o nazismo… A Disney é uma indústria, e é uma das principais capitalistas do país mais capitalista de todos. Ou seja: a Disney é política.


As questões antissemitas deles são óbvias quando olhamos o cenário político do mundo, em qualquer momento da história. É 2025, e questões sobre racismo ainda não avançaram lá como avançaram no Brasil… E diferente do que cachorrinhos fãs da bandeira estadunidense — e aqui me refiro ao tipo fã padrão e não ao tipo lunático de fake news — podem deduzir, o racismo descarado e tradicionalismo contra pautas sociais é uma questão cultural deles. O Donald Trump é sim um reflexo do pensamento geral da nação.


Então sim, a Disney segue esse padrão. Essa ponta de roteiro que tenta comprar pautas sociais progressistas é o que sempre foi na mãos deles: marketing.


E sabe o que isso tem em comum com o fracasso do live action de “A Branca de Neve”?


DITADURAS E GUERRAS DERRUBAM IMPÉRIOS


A comercialização do jogo político sempre foi parte da estratégia de empresa. E a maior prova disso foi o live action de “A bela adormecida”, que virou uma história sobre amor maternal, redenção da vilania e a queda do discurso do príncipe salvando a princesa. Nítido discurso político progressista, mas com a imagem de duas mulheres brancas e padronizadas.


O mesmo que faziam, na época das animações: agradar magnatas políticos com visuais massivamente padronizados enquanto fingiam concordar com discursos progressistas das massas. O erro da vez foi o exagero.


Colocar uma latina muito politizada junto com uma israelita para interpretar uma história progressista demais, em um cenário político de guerras civis (que têm aniquilado justamente esses povos), fez o excesso ficar óbvio. Os tradicionais abominavam o discurso e os progressistas acharam o discurso desconexo.


Ou seja: meu sonho ficando ainda melhor!


Olhando com atenção para a autodestruição de governo burros, somados as guerras instauradas ao redor do mundo e a crescente ameaça de ditaduras utópicas em países de primeiro mundo, o povo volta o olhar para a arte, a cultura e o entretenimento. Só que Hollywood têm ruído em escândalos há bons seis anos e todo mundo, com um pouco de bom senso, identifica discursos estranhos, feitos para maquiar a própria insignificância.


Isso quer dizer que os tempos estão mudando, e essa Disney engessada não funciona mais… “A Branca de Neve” é apenas a luz mais forte desse refletor quebrado.


Olive Marie ♥