MANCHILD: A MINHA VERSÃO DA HISTÓRIA

 




Há alguns dias, uma das minhas melhores amigas me enviou essa música e disse que sentia que era a nossa música. A música da trilha sonora das nossas conversas, a música que parecia que eu tinha escrito…


Achei engraçado.


Apesar de ter ótimas figurinhas ácidas sobre meu posicionamento sobre os homens, incluindo a principal que está escrita “morte aos homens”, eu não os odeio.


Ok! Talvez eu odeie um pouco… Mas não absolutamente. Não completamente. Não ao todo.


Existem muitos homens bons. Existem muitos caras legais. Existem mesmo (L.)… Só que apesar de não ser todo homem que é um pé no saco, é sempre um homem que é um pé no saco.


SABRINA CARPENTER


Ela é o protótipo de tudo que eu odeio na música… Loira, comerciável demais e fala demais de homens. Exatamente tudo que eu odiei em “Tudo o que eu sei sobre o amor” também.


Garotas como a Sabrina Carpenter me dão certo sentimento aflitivo. Elas são o padrão feminino “perfeito”, mas elas também são engraçadinhas sobre isso e eu fico meio entendida.


O som comerciável demais me irrita um pouco. E olha que eu ouço muita coisa comerciável, mas a ideia de estar sempre sorrindo e debochando das experiências da vida me deixam na pior. Eu gosto de um humor ácido que não é debochado. Eu gosto da aceitação da própria insignificância.


Sabrina Carpenter não me parece ser alguém que aceita tão bem sua insignificância. E não apenas sua imagem brinca com isso, mas suas letras que soam provocativas de um jeito estranho aos meus ouvidos.


Inclusive, ri ouvindo “Expresso” e sua ironia meio velada de ser a amante de uma relação. Mas meio que achei a letra insolente e insuportável. Nada de militância, sério… Mas qual a pira de achar graça nesse contexto? Mesmo que não seja a amante em si e sim uma ex… Qual a graça?


Só que inclui “Manchild” na minha playlist.


IDIOT*S


A pergunta que mais me fiz nos últimos anos foi: por que garotas legais gostam de caras péssimos?


Eu sei… Existem muitos caras legais. Mas a maioria é apenas um bando de babuínos babacas. Odeio quase todos os namorados das minhas amigas. Odeio quase todos os maridos das minhas amigas. Odeio quase todos os meus amigos homens.


Nada contra homens. Sério! Mas também, nada a favor.


Enquanto crescia e não era considerada atraente pelo sexo oposto, fui tomando asco. Primeiro era birra por não ser “escolhida”, depois foi apenas percepção sobre a realidade.


Na maioria das vezes, os caras são um saco. Completamente fora da casinha, mimados, exclusivistas, brutos e (em alguns muitos casos) totais neandertais.


Me aflige!


Pela minha experiência, os caras não são a melhor opção nem para trocar uma lâmpada, imagina para decidir que tudo que ele faz existe perdão e que qualquer grosseria pode ser perdoada só pelo desejo de suprir a carência de ser amada.


Carpenter acertou na letra: as mães, nesse caso, devem ser responsabilizadas.


MORTE AOS HOMENS


Esses dias vi um cara famoso listando, no palco, as razões pelas quais as mulheres deveriam escolher alguém como ele… Fiquei aterrorizada.


Supostamente, ele é um bom partido porque é bonito, limpo e rico. RÁ RÁ RÁ!


Beleza é algo relativo, limpeza é o básico de qualquer ser humano (porque boa higiene anda de mãos dadas com a saúde) e ser rico nada mais é do que uma desculpa para atrair pessoas que — na maioria das vezes — têm menos grana e acabam ficando dependentes. E depender financeiramente de alguém é furada.


Dito isso: eu não quero que todos os homens morram. Só alguns. Só os que merecem. Só aqueles que nem deveriam ter nascido.


Certo, eu sei que eu sou egoísta sobre meu tempo e meu espaço e que está para nascer macho que me faça mudar facilmente de ideia sobre o que eu quero, o que eu espero e o que eu desejo. Está para nascer macho que me faça mudar de ideia sobre coisas que eu aceito.


A coisa de ceder… Não quero ceder meu tempo, nem meu dinheiro, nem meu espaço e muito menos meus planos, para ninguém. Ninguém mesmo. Imagina mudar tudo só porque o cara é, supostamente, o amor da sua vida.


BLÉ!


E talvez seja exatamente esse o ponto… Eu não quero que os homens morram, mas não dou moral alguma para eles. Zero paciência, zero compaixão. Sabrina Carpenter resume bem o sentimento, mas não todo ele.


Espero que essa seja nossa canção por muito tempo. Espero verdadeiramente. Mas gosto de pensar que não será, que logo teremos outra… Uma mais ofensiva, talvez.


Olive Marie ♥