FERNÃO CAPELO GAIVOTA: A VERSÃO CRISTÃ DOS LIKES

 




Dia 13 de junho de 2025 eu sentei em um canto e devorei o livro “Fernão Capelo Gaivota”. E fiz isso porque era necessário para mim…


Aos 17 anos, quando tudo começou a dar errado na minha vida, mais do que o normal, minha mãe disse que me daria o livro para que eu tentasse encontrar certa motivação pessoal. Mas a vida foi acontecendo e ela não me deu o livro na época.


Como o tempo passou e várias coisas aconteceram ao mesmo tempo, só dez anos depois ela me deu o livro e só agora, em 2025, decidi ler. Com exceção do ano, a data da leitura foi escolhida à dedo. Eu queria que a obra, que parecia ser excelente, me ajudasse a superar o luto.


13 de junho, há três anos, perdi alguém que sei que jamais vou superar…


Nessa data, eu sempre quero colo. Especialmente porque há mais histórias tristes atrás de tal luto, coisas que me fazem ser incapaz de lidar com a dor de forma objetiva.


E consegui o que queria… “Fernão Capelo Gaivota”, de fato, me ensinou alguma coisa. Mas não exatamente o que eu esperava.


O REINO DOS CÉUS


Antes da existência da Bíblia, várias culturas se baseavam na natureza para erguer seus impérios da fé. Hoje, por causa da igreja, todas essas culturas são chamadas de pagãs, mas isso não quer dizer que devam ser ignoradas ou desrespeitadas. Pelo contrário!


Enquanto lia “Fernão Capelo Gaivota”, descobri que a história usa metáforas para falar de Jesus e da Bíblia, incluindo passagens sobre os apóstolos e a importância sobre a valorização da fé, independente no que, para a realização da plenitude na vida.


Dito isso, pensei muito na trilogia andina enquanto isso…


Vinda da cultura inca, a trilogia andina divide o mundo espiritual em três camadas e a primeira é o mundo superior, representado pelo Condor. Sim, a ave de rapina chamada condor.


Esse mundo espiritual tem ligações diretas com sabedoria, ideias transcendentais e elevação. E tem alguma coisa disso em “Fernão Capelo Gaivota” também, mesmo que não seja exatamente sobre a mesma coisa.


Mariana era cristã, bem devota, e fez sentido ler sobre Deus no aniversário de sua morte… Me senti mais próxima dela, mesmo não sendo cristã.


A TROCA DE VALORES


Quando disse que resenharia “Fernão Capelo Gaivota” no Instagram, uma amiga comentou que tinha certeza de que esse seria o post mais curtido do meu perfil. E eu discordei.


Não vou dizer que não acho divertido os números do meu Instagram, porque acho. Como regra pessoal, tenho a exigência de que ninguém da família ou das amizades que vejo sempre possam me seguir. E também não os sigo de volta. Se alguém assim aparecer nas minhas notificações, eu bloqueio. Meu perfil é para ser um hobby meu, para me apresentar pessoas novas e me manter atualizada das amizades que vejo pouco.


No meu Instagram, não quero dialogar com quem já convivo com frequência.


Eis, então, a graça da coisa… Tenho uma média de 130 seguidores, uma média de 10 curtidas por post, mas tenho mais que o dobro disso em visualizações.


Eu não conheço 700 pessoas. E isso quer dizer que há amigos e familiares me “vigiando”, mas também quer dizer que meu conteúdo está sendo entregue (de forma completamente orgânica) para muita gente que não me segue e nem me conhece. E não estou precisando falar de Deus para isso.


Mas também há algo de curioso em como falar de Deus já cria uma expectativa de likes na internet para a maioria de nós. Surreal!


O QUE GERA LIKE


Eu não sou cristã. Acho os ensinamentos de Jesus bem interessantes, mas não sigo nenhuma religião com base na sua filosofia, apenas respeito quem o segue. No entanto, há algo em Jesus que me assusta: sua comercialidade.


Especialmente os últimos anos… Curiosamente, foi Jesus quem disse que a casa de seu pai não deveria ser um comércio.


Ninguém ouviu.


Séculos depois, todo mundo ainda lucra no nome dele. E agora é pior, porque o comercializam na internet como um produto político e com a certeza de que, seja lá o que for que mencione Deus ou Jesus, vai evoluir como produto. E o que faz Jesus evoluir nesse meio é o capitalismo que empregam à ele, não ao milagre do seu nome.


Jesus gera like. “Fernão Capelo Gaivota” não, porque não é explícito sobre suas comparações com a Bíblia.


E eu fiz um teste… Divulguei o post mais de uma vez nos meus stories e mesmo assim, com o alcance alto, as curtidas foram poucas e provaram que o que vende não é a mensagem bonita, mas o capital que a ideia religiosa aplica.


No dia de aniversário de morte de alguém que amo e que era fiel à Deus, aprendi que é a pureza da fé que faz o corpo e a mente. Aprendi que pessoas incríveis morrem cedo e confirmei que Jesus é lucro quando distorcido, mas ignorado quando lembrado com fidelidade.


Olive Marie ♥