MARIA ANTONIETA: A RAINHA DO MITO

 




Talvez a mais popular rainha da França seja um ícone de moda, mas ela é, antes de mais nada, a mãe da imprensa marrom e a criadora do mito.


E, particularmente, não sou fã de Maria Antonieta, mas respeito muito sua história. Acho assustador o acontecimento da sua morte e reflito muito sobre o que teria acontecido se as coisas tivessem sido um pouco diferentes…


Para mim, ícones não faltariam. Mas a história seria um pouco menos interessante, admito. Assim como admito que é necessário olhar para a história de Maria Antonieta com cuidado e afeto. Admito que há algo a se aprender, e reconheço que já se faz tarde o momento de recontar sua história. Tanto para o mundo, quanto para a própria preservação do mito que se tornou o seu nome.


ÁUSTRIA PRÉ VON TRAPP


Muito antes de Hitler da Áustria uma extensão sinistra da sua própria versão da Alemanha, antes de figuras como os membros da família von Trapp e o arquiduque Francisco Ferdinando darem holofotes para a Áustria, nascia lá o futuro de uma revolução emblemática…


Foi em Viena, no dia 2 de novembro de 1755, que Maria Antonieta nasceu. Sendo filha do imperador Francisco I e da imperatriz Maria Teresa, sua infância foi, não apenas privilegiada, mas completamente fora do padrão.


Como herdeira – uma das herdeiras, no caso – de um dos principais impérios de seu tempo, Maria Antonieta tinha que ser bonita como um adorno caro, para cumprir sua missão do destino no futuro: casar com um rei e comandar um país. E como o esperado, fez isso muito bem.


Estudava o que a corte queria de uma mulher na época e foi entregue, como aliança política, aos 14 anos. Seu destino era a França, na posição de rainha, em um futuro aparentemente promissor e não tão distante. O casamento com o delfim Luís lhe garantia o comando do país inteiro.


Mas Maria Antonieta só tinha 14 anos. Como toda jovem de sua idade, estava fadada a cometer erros, aproveitar de excessos e usufruir de intensidades próprias desse momento da vida. Como herdeira do trono mais opulento da Europa por causa do casamento, foi mimada, paparicada e estimulada a renovar a moda e os costumes em prol da evolução do seu poder e da força de seu império. Mas, se formava ali, uma imagem difícil de consertar.


Sem contar o problema que alimentava ainda mais essa questão: ela não tinha limites. Sua posição social impedia que a vida lhe desse algum tipo de noção do que viria. E começou devagar.


A IMPRENSA MARROM


Maria Antonieta assumiu o papel de rainha em 1774, com um momento histórico peculiar… O avô do marido, conhecido como rei Sol, faleceu e deixou de herança uma corte ostensiva e um palácio bilionário como símbolo de força, elegância e riqueza. Mas também deixou um povo que começava a se unir para se indignar com a monarquia.


Luís XVI e sua esposa, Maria Antonieta, enfrentaram insatisfações populares desde o começo. Não só porque as inflações não paravam de subir, mas porque ele era inacessível demais e ela era esbanjadora demais. Além disso, ela era estrangeira. Apenas por isso o povo já decidira que Maria Antonieta era uma traidora da pátria.


Com a revolta popular crescendo, a história dela foi piorando aos poucos. Surgiram boatos que diziam que nenhum de seus quatro filhos eram fruto do seu casamento com Luís XVI (alimentados por sua demora em engravidar), a imprensa começou a criar panfletos com “notícias” que a acusavam de orgias estranhas e com a chegada de uma crise econômica que matava o povo de fome, disseram que ela mandou dar-lhes bolo.


Eis o mito da frase: “se não têm pão, que comam brioches”.


Não há registros históricos (até onde sei), que comprovem que ela tenha dito algo do gênero, mas tudo já estava enraizado na memória coletiva. Maria Antonieta era um ícone de asco geral e devia ser julgada e morta por seus crimes. E foi!


Presa, com o marido e os filhos, foi trancada em uma cela, forçada a assumir crimes que não cometeu (lembro de ler um livro que dizia que chegaram a exigir que ela assumisse que tinha tido relações com o próprio filho, que era uma criança na época, e que supostamente não era filho de seu marido) e com sua recusa, seu julgamento foi ainda pior.


GUILHOTINA, MUSEU E COPPOLA


Com a Queda da Bastilha em 1789 e a Marcha das Mulheres em outubro do mesmo ano, o destino se escreveu sozinho.


Luís XVI foi guilhotinado em janeiro de 1793; em julho Maria Antonieta foi separada dos filhos e em outubro foi morta na guilhotina. De legado, sua família na Áustria ficou furiosa com os atos da Revolução Francesa, que dizimou quase completamente a família real.


Há uma anedota que diz que, pouco antes de morrer, ela se desculpou com o seu carrasco por pisar no seu pé sem querer… Descobri isso recentemente, ao pesquisar sobre o tema, no National Geographic. E ao que parece, foram essas as suas últimas palavras.


Também há uma versão que diz que Tussauds fez o primeiro busto de cera da cabeça decapitada de Maria Antonieta. Teria sido isso que teria estimulado o sucesso do que viria a ser o Museu Madame Tussauds.


Mas sua história não para por aí…


Maria Antonieta continuou sendo um reflexo da moda de seu tempo, ficou eternizada em diversos quadros que mantém o imaginário sobre si vivo e virou roteiro de livros, peças e filmes.


Sofia Coppola a escreveu bem, marcando sua presença com classe e beleza, em 2003, quando seu filme virou referência. Hoje, Maria Antonieta é mais do que história, ela é lenda e memória.


Olive Marie ♥